Concorrência com feiras itinerantes é desleal, dizem comerciantes locais
Feiras causam polêmica na região de São Carlos
(Foto: Reprodução/EPTV)

Feiras itinerantes que percorrem várias cidades do interior de São Paulo estão causando polêmica entre os comerciantes, que dizem que a concorrência é desleal. Para os consumidores, é a oportunidade de encontrar preços mais baixos.

Em São José do Rio Pardo (SP), 100 estandes com roupas e acessórios na funcionam na feira até domingo (29). A Prefeitura tentou impedir o evento, mas os organizadores conseguiram uma liminar na Justiça. A Feirinha da Madrugada funcionava em São Paulo, no Centro e depois no Brás. Mas desde abril por problemas de segurança ela não é mais montada na capital e migrou para as cidades do interior.

O trabalhador José Renato Xavier e a mulher aproveitaram para comprar roupas para a família inteira em uma dessas feiras. “O preço é bom, fiz uma geral pra família, roupas para as crianças e para a mulher”, disse. “Se fosse no comércio normal, em lugar nenhum daria para comprar roupas para todos”, comentou a dona de casa Isabel Cristina Maziero. Na feira, a também dona de casa Maria Rosa Almeida exibe orgulhosa os doze pares de meias que comprou por R$ 20. “Comprei calça e brinquedo também”, disse.

Concorrência

O consumidor não resiste às promoções, mas os comerciantes da cidade não aprovam o evento. Luciano José Rosseto é dono de uma loja e acredita que o valor mais em conta tem desvantagens. “Adquirir um produto que depois não vai ter como trocar se tiver algum tipo de defeito acho que para a cidade não tem benefício algum”, comentou.

Ele acredita que os preços tornam a concorrência injusta. “Eles são atacadistas e nós compramos de atacadistas e revendemos, então é muito difícil ter o mesmo preço que eles”. O empresário Angel Castelo Carril trabalha no comércio há sete anos e também é contra as feiras. “O dinheiro que os consumidores gastam lá não será revertido para a cidade, é um prejuízo”, disse.

Prejuízos

Um levantamento da Associação Comercial de São João da Boa Vista mostra o quanto deixou de circular no comércio da região no primeiro semestre deste ano. “Esse levantamento nos deu um número de R$ 20 milhões que foram tirados do comércio local, um número bastante expressivo”, disse o presidente Antônio Baesso Júnior.

Em Araras a Prefeitura negou o alvará em agosto e mesmo assim o evento ocorreu graças a uma liminar, como em São José do Rio Pardo. Mas, depois disso, foi criada uma lei para regulamentar esse tipo de feira que não tem vínculo com a cidade. Segundo o secretário de Assuntos Jurídicos, Sérgio Coletti do Nascimento, entre as exigências estão espaço para estacionamento e estudo de impacto de barulho e trânsito para a vizinhança.

“Precisa assegurar todas essas questões, se cumprir os requisitos legais que a feira exige ela vai poder se instalar, mas a gente tem que se preocupar com que virá, não dá pra ser do dia pra noite e sem compromisso nenhum com o município e muito menos com o consumidor”, explicou o secretário.

Vargem Grande do Sul foi a primeira cidade da região a realizar a feira, mas, para evitar problemas, a Associação Comercial e Industrial da cidade conta com uma lei municipal criada no início do mês que regulamenta a atividade. Além de apresentar vários documentos, a empresa encarregada pela venda dos estandes tem que ter um escritório na cidade 30 dias antes do evento. Além disso, precisa fazer um seguro para os participantes e visitantes, com cobertura mínima de R$ 10 mil para os casos de morte ou invalidez. A feira deve ter duração máxima de três dias.