Porto Ferreira Ontem – As colônias da Fazenda Santa Mariana
Foto: Colônia Boa Esperança. Fotografia de José Teixeira Villela Filho (Zizico Villela), início do século XX. Acervo do Centro Histórico e Cultural da Fazenda Santa Mariana.

As informações rurais de Porto Ferreira, inerentes ao século XIX, são escassas. Especificamente sobre a Fazenda Santa Mariana, a maior produtora de café do município, não se sabe, ao certo, onde se situava a antiga sede, pois o território da propriedade, por meio de analogias, alcançava aproximadamente a extensão de 1.600 alqueires.

Todavia, na “Planta da fazenda denominada Sta. Marianna”, de 1902, quando as terras já haviam sido separadas – de um lado, Fazenda Capão Bonito e do outro, Santa Mariana - registra-se a nomenclatura “Fazenda Velha”, contendo ilustração de construções. Ao contrário do que se pensa, não existem cafeeiros ao seu redor, mas uma área de invernada de campo, conhecida na época como “invernada da macaúva”.

Talvez, a fazenda se mantinha também através da criação do gado vacum, de equinos, dentre outros animais, justificando, portanto, a ascendência de seus proprietários, oriundos de famílias portuguesas tradicionais responsáveis por grandes empreitadas na criação de raças e nas agriculturas.

Quando consultei o senhor Antônio Presotto, nascido na fazenda e ex-colono, não consegui averiguar se a primitiva sede existiu na “Fazenda Velha”. Aliás, o trabalhador não se recordou deste nome, garantindo que em sua época o local se chamava “Retiro”. A afirmação também foi confirmada pelo ex-colono Elzio Casemiro. De certo modo, apoiando-se na aludida planta, a sede da Fazenda Santa Mariana se situa distante da “Fazenda Velha”. Contudo, não se eximem as lembranças do senhor Toninho Presotto de que “existiam casas muito velhas no Retiro, inclusive um velho casarão”.

Possivelmente, com a morte do capitão Joaquim Procópio de Araújo e de sua esposa, Mariana Balbina de Meirelles, a antiga sede foi desocupada. A partir disso, constituiu-se a divisão da Fazenda Santa Mariana, originando a Capão Bonito. Então, duas sedes foram construídas, na década de 1890 (ou 1880, com os casamentos de Cornélio e Procopinho), estando uma, no mesmo local onde está a atual sede da Santa Mariana e a outra, naquela propriedade, mas demolida.

Alguns anos depois, o coronel Procópio de Araújo Carvalho construiu, em 1916, imponente casarão, no mesmo lugar para onde transferira a casa sede, quando herdou seu quinhão de terra, demarcando o prédio, desta feita, às gerações de trabalhadores durante o século XX, como o legítimo âmbito de sua residência.

Em alusão às colônias da Fazenda Santa Mariana, com seus 974 alqueires, baseando-se no único registro topográfico, a planta do local, e apoiando-se nas informações cedidas por ex-colonos, do Rio Moji Guaçu, que encerrava o comprimento da propriedade, aos limites da Fazenda Barreiro existiram os seguintes agrupamentos:

  • São Joaquim: possuía considerável número de casas e era abastecido por uma pequena mina de água que desembocava no Córrego dos Patos. Cercava-se pelo cafezal da fazenda, possuindo largo pátio. Além disso, seus colonos cultivavam uma pequena roça, de onde extraíam seus alimentos. Os pastos, conhecidos como “queimadas”, eram do outro lado – esquerdo de quem vai para Santa Cruz da Estrela - da vicinal Sebastião Virgílio de Carvalho, “Brejão”;

  • Dos Patos: formada por grande número de casas, esta colônia se localizava paralela ao córrego homônimo, do lado esquerda da citada vicinal, de quem vai para Santa Cruz da Estrela. Além do extenso cafezal, existia nas proximidades a Matinha dos Patos. (encerra na próxima edição) 



Por Miguel Bragioni
Pesquisador da história de Porto Ferreira  

* Extraído do capítulo 2 do livro Aspectos Históricos de Porto Ferreira.

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