Porto Ferreira Ontem – As Enchentes - II
Enchente, 1958, acervo de João Paschoal Gentil

Episódio semelhante ocorreu no ano posterior. De acordo com “O FERREIRENSE” (18.1.1959, p. 1), as águas da enchente quase atingiram o “leito da ponte velha” – ponte metálica -, proporcionando um espetáculo de águas “bastante bonito”. 

Durante janeiro e fevereiro de 1965, em observância à veiculação do semanário “O FERREIRENSE” (13.3.1965, p. 1), outra inundação avançou a várzea na região da via Rudolph Streit e a “estrada asfaltada que demanda Santa Rita do Passa Quatro, principalmente. O nível das águas chegou a mais ou menos 2 metros do piso da ponte velha”.

Contudo, em 1970, aconteceu uma passagem inesquecível para a história local. Por 15 dias consecutivos choveu no Estado de São Paulo, por causa de um anticiclone formado no Sudoeste. Paralisações de trechos das estradas de ferro e de rodagem, prejuízos nas lavouras, e cerca de 10 mil desabrigados foram os resultados da intensa queda pluviométrica sobre inúmeros municípios, a qual forçou a abertura de comportas de represas. Na terra do balseiro, o rio Moji Guaçu atingiu a marca na régua de 8m20cm, obrigando o prefeito Joaquim Coelho Filho a conceder apoio à população ribeirinha. Trinta famílias foram socorridas por cidadãos e pelas autoridades; noticiadas pelo “O FERREIRENSE” (28.2.1970, p. 1), mais de 20 olarias “tiveram suas instalações danificadas”. Na Vila Sibylla, com as águas transbordadas do córrego Santa Rosa, o acesso foi possível graças aos barcos, pela avenida da antiga Nestlé. A Companhia Paulista interditou a linha férrea, em parte submersa, enquanto o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) proibiu o tráfego pelo leito carroçável da ponte da Via Anhangüera, tragada, por 200 metros de extensão, pela cheia.

Caetano Peripato, morador da Vila Sibylla, exercendo um cargo no Poder Legislativo, informa que quando soube do aumento do nível das águas, tratou de transportar seus pertences para a Capela de Santo Antônio, pertencente à chácara da família, e construída em local mais elevado. Solidarizando-se com as vítimas, auxiliou-as por meio de transporte, em barcos, durante 10 dias consecutivos, e nos prévios avisos aos moradores, em carros de som improvisados pelo prefeito.
Graças ao trabalho preventivo, de medidas higiênicas, conduzido pelo Dr. Neif João, nenhum caso de doenças oriundas da cheia foi diagnosticado no município. Na época, o professor Marcier Martins fez questão de registrar, por meio de fotografias, inclusive aéreas, e de filmagem, 8mm, os pontos de alagamentos que se tornaram locais de contemplação popular – parte dessa filmagem consta no livro aspectos históricos volume 2.

O primeiro dia do ano de 1974, de acordo com “O FERREIRENSE” (5.1.1974, p. 1), iniciou-se sob “tromba d´água”, seguido por dias chuvosos que causaram estragos em diversos bairros e ruas, a saber: Vila Nova, Vila Maria, Av. Prof. Henrique da Mota Fonseca Júnior, Rua Joaquim Miguel Pereira e Av. Gal. Álvaro de Góes Valeriani. Ao mesmo tempo, o nível do rio Moji Guaçu subiu, de forma impressionante, “alagando toda a varzea”.

Em 1981, nova cheia resultou no apoio, pelo Poder Público, a 12 famílias, vítimas de alagamentos, que se alojaram no Ginásio de Esportes “Adriano José Mariano”, e no extinto Aeroporto. Segundo o “JORNAL DO PORTO” (24.1.1981, p. 1): “uma das razões de ter o rio alcançado maior altura foi o fato do desmatamento das margens do rio, que impediu maior infiltração das águas pluviais que corriam diretamente para o rio”. A medida, na régua, marcou 5m30cm.
Semelhante fato ocorreu nos 2 anos seguintes, conforme o “JORNAL DO PORTO” (22.1.1983, p. 1), quando a ““enchente das goiabas” (nome decorrente da grande quantidade de goiabeiras que existem nas várzeas do Mogi e todos os anos ficam inundadas), no mês de fevereiro”, de 1983, desabrigou de sete a quinze famílias, obrigando a assistência por meio do Poder Executivo, o qual improvisou, novamente, o mencionado Ginásio de Esportes, para servir de abrigo temporário. De maneira excepcional, mais duas enchentes, até o mês de junho, sucederam nesse ano. Condizente à medida, em 1982, constou a marcação de 5m45cm, número este inferior ao de 1983, quando houve registro máximo de 6m62cm3. Entre os desabrigados, consideram-se munícipes da olaria do senhor Luiz Mutinelli, das proximidades da olaria do Sr. Antonio Dessio e da Vila Sibylla. (encerra na próxima semana)



Por Miguel Bragioni
Pesquisador da história de Porto Ferreira  

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