Porto Ferreira Ontem – Consciência negra: alguns afrodescendentes
Marcolino Mariano - Acervo de familiares e do Museu Histórico e Pedagógico "Prof. Flávio da Silva Oliveira".

Na semana da “consciência negra”, resolvi publicar, extraindo do capítulo 17 do livro Aspectos Históricos de Porto Ferreira, imagens e informações de alguns afrodescendentes queridos e conhecidos desta cidade. 

FELIPPE DOMINGOS – Nascido em Franca, SP, em 2 de janeiro de 1882, Felippe veio para Porto Ferreira na década de 1910, local onde se casou com Laurinda, filha de Honória da Paixão, tendo 11 filhos. Trabalhou na Companhia Paulista de Estradas de Ferro como guarda-ponte, justamente numa casinha de madeira situada pouco antes da ponte metálica, na margem direita do rio Moji Guaçu. Faleceu nesta cidade em 10 de setembro de 1953. 

GABRIELLA ROBERTA DE ARAÚJO – Mãe de Pedro Carvalho e de Esméria Roberta de Araújo. Foi mucama da Fazenda Santa Mariana, na época da escravidão. Nasceu em 1826 e faleceu em 2 de março de 1912. Está sepultada no Cemitério da Saudade, “Velho”, de Porto Ferreira. 

HONÓRIA FRANCISCA DA PAIXÃO – Conhecida como “Sonora” ou “Sá Honória”, filha de escravos, Honória fez memoráveis doces. Possuiu uma chácara no Jardim Botafogo. Possivelmente, chegou ao município ferreirense, em fins do século XIX. Casada com Ludugero (ou Ridigero – pronúncia variada) da Paixão, “Sá Honória” faleceu em 28 de dezembro de 1960, aos 87 anos. Esta fotografia foi registrada por Nilson Pereira Lopes, que conquistou premiação em concurso público. 

JOSÉ CASEMIRO – Filho de Felisbina Ignacia da Conceição e de Casemiro Ignacio Ferreira, funcionário da Fazenda Santa Mariana, nasceu em Porto Ferreira e viveu por quase toda a vida nas Fazendas Santa Mariana e Capão Bonito, trabalhando no cafezal, como colono, e mais tarde, como serrador e maquinista. Durante longo tempo, foi o barbeiro das propriedades e, nos últimos anos, desempenhava a função de fiscal geral. Apaixonado por música, sempre executava o bombardino na banda de música da Santa Mariana, além da viola e do violão, participando de apresentações caipiras, costumeiras da época. Era notável compositor. Os filhos Isaltino, Élzio, Anísio e Nelson herdaram o dom musical do pai, tornando-se os responsáveis pela difusão do choro em Porto Ferreira e na região. Já as filhas Claudemira, Genésia e Percília seguiram a música vocal. Vitimado pela doença de chagas, José Casemiro faleceu em 2 de setembro de 1957, aos 65 anos. 

JOSÉ SILVESTRE – Pessoa muito querida e respeitada por todos, José Silvestre nasceu na Fazenda São Pedro, no município de Descalvado, em 8 de setembro de 1890. Entre 1912 e 1913, prestou serviços na montagem da Ponte Metálica de Porto Ferreira. Entretanto, fixou residência neste município somente em 1924. Trabalhou na Fábrica de Louças, na Cerâmica Prada, em propriedades rurais e olarias. Casado com Adélia Danci, o casal teve os filhos Olímpia, Olívia, Rosa, Valentina, Antônio e Nair. Em 1978, “Zé” Silvestre desatou a fita inaugural do Clube do Chorão, entidade idealizada por Orestes Rocha. Faleceu a 23 de junho de 1988, três meses antes de completar 98 anos de vida. 

MARCOLINO MARIANO – Natural de Serra Negra, Marcolino foi para o município de Descalvado em 1912. Quatro anos mais tarde, a convite do maestro Lullo Guasca, regente das bandas de Descalvado e da Fazenda Capão Bonito, mudou-se para esta propriedade, local onde trabalhou como carpinteiro e músico da banda. Viveu na gleba por 10 anos, até 1928, quando transferiu a residência para a área urbana ferreirense. No município, construiu legítimas amizades e apresentou seus dotes profissionais. Casado com Adelina Mariano, o casal teve os filhos Nadyr, Nelson, Nilsa e Noraide. Marcolino Mariano faleceu em Porto Ferreira no dia 8 de abril de 1961, aos 73 anos. 



Por Miguel Bragioni
Pesquisador da história de Porto Ferreira

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