Porto Ferreira Ontem – Feira Industrial Ferreirense (FEIFE) - I
Primeira feira de amostras, 1946, acervo do Museu Histórico e Pedagógico “Prof. Flávio da Silva Oliveira”; Artigo extraído do Capítulo 22 do livro Aspectos Históricos de Porto Ferreira.

O mês de julho, para os cidadãos contemporâneos, desperta uma expectativa para a tradição, não característica do folclore ou das crenças centenárias, mas de um evento de relevância a este município: a FEIFE. Em procedência, resolvi esboçar alguns artigos, atentando-me à publicação de informações sobre as feiras de amostra de Porto Ferreira e a primeira FEIFE.

Movimentos precursores

Com a emancipação político-administrativa do município, a 29 de julho de 1896, a data de criação passou a ser comemorada por meio de várias atividades, tais como inaugurações de espaços públicos, provas esportivas, apresentações musicais, desfiles e honrarias, concursos de rainhas da cidade, os concorridos bailes de aniversário promovidos no salão principal da antiga Prefeitura e no Porto Ferreira Futebol Clube, as gincanas e outras realizações. Contudo, nos efusivos festejos do cinquentenário de Porto Ferreira, em 1946, ocorreu algo que se implantou como o sêmen de uma próspera tradição da localidade.

Objetivando a organização e a promoção de celebrações específicas à magna data, um grupo de munícipes, acompanhado por uma comissão de honra, responsabilizou-se por diversos atos solenes que demarcaram três dias de festa, de 27 a 29 de julho, compostos pelos seguintes eventos: quermesse, comemoração no Grupo Escolar, primeira Feira de Amostras, bailes, rainha da cidade, missa campal, homenagens póstumas, futebol e desfile escolar.

Às 19h30min do dia 27, sob apresentação da Corporação Musical Santa Cecília e cerimônia do professor João Teixeira, o prefeito Syrio Ignatios cortou a fita simbólica, declarando aberta a primeira Feira de Amostras de Porto Ferreira. Instalada na Prefeitura, a exibição reuniu “um pouco de tudo que Porto Ferreira produz”, sendo:

 [...] organizada e ornamentada sob a direção artística do professor Ulysses Borelli Thomaz, auxiliado pelos srs. José Amérco da Silva, José Naif, Casemiro de Moraes Dias Junior, Pedro Fares e pelas professoras. Maria José Martins de Moraes, Olinda Américo da Silva, Sebastiana Bueno Gentil, Guiomar Zadra Ribaldo, Leonidia Zadra, Nadyr Zadra, Olympia Teixeira, Jandira Fortes Denunci e Noraide Mariano.

Até o encerramento, dia 29, às 22 horas, visitaram-na 2.964 pessoas.

Quinze anos depois, em 1961, o prefeito Joaquim Coelho Filho solicitou à Secretaria da Educação a concessão do Grupo Escolar “Sud Mennucci”, a fim de sediar a “Exposição Ferreirense”, no período de 22 a 29 de julho.

Foi assim inaugurada pelo chefe do Poder E  xecutivo, o qual d

esatou a fita simbólica. Cerca de 11 mil pessoas conheceram a feira que reuniu, segundo “O FERREIRENSE” (6.8.1961, p. 6) “magnífico e verdadeiro mostruário artístico, industrial e cultural de nossa cidade”, identificado em “estandes” decorados, “dignos de figurar em exposições internacionais”.

Na ocasião, o secretário da agricultura, Dr. José Bonifácio Coutinho Nogueira, registrou lautos encômios no livro de presença: “– “Ao visitar esta exposição, afirmo que a prosperidade de Pôrto Ferreira envaidece São Paulo e enche de orgulho aos paulistas. Queira Deus que este progresso continúe enriquecendo o Brasil!””

Na grande mostra, apresentaram-se, com ênfase, demonstrações de arte e do setor industrial do município. De acordo com “O FERREIRENSE” compuseram a exibição: José Bernardo & Cia. (móveis), Maura Castelhano Migliorini (boneca), Adão Antonio Elias (confecções, bolsas), Yonio Antonini (porcelanas), Everaldo Croaro (eletrotécnica), Beran Mickenhagen& Cia. (porcelana), Ulysses Borelli Thomaz (miniaturas), Maria Augusta Loureiro Thomaz (miniaturas), João Colussi (escultura), Cia. Industrial Algodoeira Perondi (algodão, fiação), Ind. Textil Fernandes Ltda. (tecelagem), Escola Artesanal, Indústrias Reunidas Vidrobás Ltda. (vidros e artefatos), Grupo Escolar “Sud Mennucci”, Francisco Peripato & Filhos Ltda. (cerâmica), Azis José (bebidas), Mariano Sanches & Filhos (cerâmica), José Zuffo (construtor), City Móveis (móveis), Souza & Marbassi (eletrônica), Santa Lucia S/A (exportadores de laranja), Narciso Vendrame (exportação de laranjas), Cerâmica Artística Forjaz (cerâmica), Cerâmica Pôrto Ferreira (louças), Syrio Ignatios (porcelana eletrônica), Martins & Fabiano (fotografias), Pôrto Ferreira Futebol Clube.

No ano seguinte, o evento se repetiu, de 21 a 29 de julho, com numeroso público não divulgado, e com o nome de “Exposição Industrial de Pôrto Ferreira”, também levado a efeito no Grupo Escolar “Sud Mennucci”. De acordo com “O FERREIRENSE” (29.7.1962, p. 6), o sucesso do ano anterior foi superado, “o que vem demonstrar o interesse cada vez maior dos ferreirenses em mostrar orgulhosamente o que nosso município é capaz de produzir”. Discursaram os professores Flávio da Silva Oliveira, em nome da comissão organizadora, e Orindo Francisco de Oliveira, presidente do Legislativo ferreirense, enaltecendo a participação do parque industrial local.

Nos anos 1964, 1965 e 1966, Porto Ferreira não teve grandes comemorações e o prefeito Oswaldo da Cunha Leme foi vítima de severas críticas pelo único semanário, diante de seu comportamento indiferente às festas dos aniversários do município. Entretanto, nos dois últimos anos de seu mandato, 1967 e 1968, e no seguinte quadriênio, de Coelho Filho, as celebrações voltaram a ter fôlego, sem algum tipo de feira, ensejando a oportunidade à posterior administração, de Dorival Braga, o qual, no último biênio, iniciou proposta de larga repercussão.

A FEIFE

Sem dúvida, o novo prefeito, Dorival Braga, percebeu um avanço nas duas exposições do primeiro governo de Coelho Filho, e resolveu aperfeiçoá-las, a fim de destacar o legítimo potencial ferreirense, por meio das diversas indústrias e da produção natural.

Para tanto, justificou seu propósito da criação da FEIFE (Feira Industrial Ferreirense), e estendeu aos amigos, aos funcionários públicos, à imprensa, e, sobretudo, aos professores do Colégio Técnico Industrial (atual Escola Estadual Dr. Djalma Forjaz), a incumbência de administrá-la, visando à execução do evento nas dependências da citada unidade escolar.

Em vista disso, baixou uma portaria, a 7 de março de 1975, nomeando uma comissão organizadora, assim constituída: presidente: Jadyr Salles; diretor executivo: Oswaldo Arantes; secretário: Dorival Gomes; tesoureiro: Adalberto Aparecido Pereira; membros executivos: Antonio Gentil, Herly Machado de Campos, Célia Mirtes Pincerato e Nilson Pereira Lopes; outros membros: Dimas Loureiro, Jorge Pedro Assef Junior, Dionísio Fenili, José Klein Sobrinho, Armando Amaral Filho, José Astor Fadel, José Guilherme Barbosa Fonseca e Nelson Sebastião Pinto de Freitas. De acordo com o Sr. Adalberto, o Sr. Hermenegildo Mazetto também foi grande colaborador da comissão.

Dorival afirmou a mim que solicitou a concessão do Grupo Escolar “José Gonso”, à Secretaria da Educação, a fim de servir de espaço para “show”, parque de diversões e uso de sanitários. Aliás, segundo o ex-prefeito, o secretário da educação autorizou os ambientes da escola desde que nada se alternasse no prédio. Apesar disso, ao receber deferimento, o chefe do Executivo derrubou o muro traseiro do GESC - rua José Teixeira Vilela (Pai) -, para anexar o espaço ao quarteirão do Colégio Técnico. Após o dia 29, os obreiros reergueram o muro.

Por Miguel Bragioni - Pesquisador da história de Porto Ferreira

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