Porto Ferreira Ontem – Hospital Dona Balbina – parte 2
Hospital Dona Balbina; D. Olympia de Meirelles Carvalho,
Acervo do Museu Histórico e Pedagógico “Flávio da Silva Oliveira”

MELHORIAS

A edificação do Hospital Dona Balbina, inteiramente custeada a expensas do coronel Procópio de A. Carvalho, representou muito orgulho ao seu patrono e aos cidadãos de Porto Ferreira. De certo modo, o prédio se tornou a “menina dos olhos” do senador. No jornal “O Ferreirense”, de 1927, destaca-se um artigo referente a um novo investimento no espaço advindo do ilustre benfeitor:

IMPORTANTE DONATIVO

O Senador Procopio de Araujo Carvalho que a expensas próprias construiu e montou o Hospital Dona Balbina admirado por quantos o tem visitado e que nos seus tres annos ainda não completos de existencia tem recebido em seus leitos consieravel números de enfermos indigentes e abastados desta e de outras localidades do Estado, acaba de fazer a esse estabelecimento pio mais um donativo de alto preço – uma mesa de operação typo Dr. Quervain, de Berna, Suissa – por elle adquirida pessoalmente em sua recente excursão pelo Velho Mundo.

Essa mesa, que representa a ultima palavra em cirurgia, é toda nickelada dotada de varios movimentos e de grande numero de acessórios que facilitam a pratica de qualquer intervenção. Além disso possue um systema de aquecedores elétricos protegendo o doente contra as baixas temperaturas que tanto compromettem o êxito operatorio.

Vimol-a instalada na principal sala de operações do hospital onde poderá ser observada para quem se interessar em conhecer esse importante aparelho cirúrgico.

Parabens ao Hospital Dona Balbina. Gratidão ao Senador Procopio.

O pavilhão da maternidade “Olympia de Meirelles Carvalho”

Quando Olympia de Meirelles Carvalho faleceu, em 1936, o Hospital Dona Balbina recebeu de seu espólio a importante quantia de 300 contos de réis, valor aproximadamente cinco vezes superior ao orçamento municipal daquele ano.

Com isso, no dia 22 de novembro de 1953, o Pavilhão da Maternidade “Olympia de Meirelles Carvalho” foi inaugurado, uma homenagem póstuma à Grande Benfeitora do hospital. Seu legado possibilitou a reforma plena do nosocômio, bem como a construção da maternidade e o início das obras de clausura. Entre os envolvidos na ampliação do local, estavam o cel. Olímpio Félix de Araújo Cintra, Urbano Félix Cintra e Dr. Décio Vieira Palma, respectivamente, cunhado e sobrinhos da patronesse, além do Sr. Syrio Ignatios e do Dr. Plínio de Góes Valeriani, o provedor, do Sr. José Zaniboni, o construtor, e o engenheiro Nicolau de Vergueiro Forjaz.

Entre 1964 e 1965, a Comissão de Reformas do Hospital, sob presidência do Dr. Décio Vieira Palma, investiu na lavanderia, na clausura e no necrotério, diante de considerável arrecadação das quermesses anuais.

Pouco antes de falecer, Dr. Décio Vieira Palma, em 1973, Irmão Benemérito, doou ao hospital cem mil cruzeiros destinados à aquisição dos equipamentos inerentes ao Centro Cirúrgico. Todavia, a inauguração deste centro aconteceu no dia 18 de dezembro de 1976. Dr. Décio foi homenageado, post-mortem, em uma de suas dependências.

Contudo, um fato atípico sucedeu: em 2002, a maternidade, que homenageou sua inesquecível (?) Benfeitora, Olympia de Meirelles Carvalho, foi deslocada e no ato, passou a ter nome de um homem: Dr. Carlindo Valeriani Neto.

De acordo com o testamento do dr. Plínio de Góes Valeriani, de 9 de dezembro de 1994, encontra-se a doação de sua propriedade, localizada na rua Cel. Procópio de Carvalho, 222, ao Hospital Dona Balbina, desde que fosse construída uma maternidade com o nome de seu filho, “Dr. Carlindo Valeriani Neto”. O hospital recebeu uma verba para aplicação e construção de nova ala, e com a residência vendida, construiu a nova maternidade, alterando seu nome.

Hoje em dia, apenas o antigo pavilhão, que ostentava a maternidade, mantém o nome de Olympia de Meirelles Carvalho.

CAPELA DE SANTA BALBINA

O espírito religioso católico sempre esteve presente na família Procópio de Carvalho. A prova é ressaltada nas diversas iniciativas regionais, de cunho religioso, as quais possuem envolvimentos, através de valiosos donativos, como demonstração de crença e de respeito.

Além de homenagear a mãe do coronel Procópio de Araújo Carvalho, sra. Mariana Balbina de Meirelles, mais conhecida como Dona Balbina, o hospital construiu uma capela destinada às orações dos fiéis.

De acordo com o pesquisador Flávio da Silva Oliveira destacam-se, em seu livro póstumo, acontecimentos relevantes do hospital, registrados em atas.

Destarte, no dia 31 de março de 1925, ocorreu uma missa em ação de graças comemorativa ao primeiro aniversário de fundação da Irmandade de Misericórdia de Porto Ferreira. Foi então, benzida a imagem de Santa Balbina e transportada, em procissão, para o hospital, sendo, solenemente, entronizada como sua padroeira.

Com a demolição da Igreja Matriz de São Sebastião, em 1952, os ofícios religiosos passaram a ser realizados na Igreja de São Benedito, na Casa Paroquial e na Capela de Santa Balbina.

Por Miguel Bragioni
Pesquisador da história de Porto Ferreira

* artigo extraído do capítulo 3 do livro Aspectos Históricos de Porto Ferreira, Vol. 1.

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