Veja a programação da Semana da Consciência Negra, que tem início na segunda-feira

Entre os dias 18 e 22 de novembro (segunda a sexta-feira da próxima semana), a Secretaria de Cultura de Porto Ferreira, juntamente com o Conselho Municipal de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra, realizará a Semana da Consciência Negra.

A atividade visa valorizar e incentivar a produção da cultura negra no município e também debater sobre as questões étnico-raciais. Este ano, será feita uma homenagem ao músico e ferroviário Isaltino Casemiro, que empresa o nome ao Anfiteatro Municipal (veja biografia no final do texto).

Com o intuito de descentralizar as ações, parte da programação será realizada dentro de escolas, para que algumas ações sejam feitas com os alunos durante essa semana.

A programação é a seguinte: 

Segunda-feira – 18/11

Centro Educacional Sesi (Parque José Gomes)

• 10h - Cine-debate: Documentário Disque Quilombola

Anfiteatro Isaltino Casemiro

• 19h30 – Cultura Popular e o legado de Mestre Bimba. Palestrante: Marcos Paulo Pereira. Professor de Educação Física, pós-graduado em Treinamento Desportivo pela Escola Superior de Educação Física de Muzambinho-MG, formado em Ciências Sociais (Unifeob), mestre de capoeira Filhos de Bimba Escola de Capoeira.

Terça-feira – 19/11

Escola Estadual Djalma Forjaz (Centro)

• 8h - Oficina e roda de conversa. Participação: Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFSCar.

Emef Professor José Gonso (Jardim Aeroporto)

• 14h - Oficina e roda de conversa. Participação: Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFSCar.

Anfiteatro Isaltino Casemiro

• 19h30 – Apresentação de Dança dos Jovens Atores, com o tema Ginga Brasileira - Alunos da Escola Estadual Djalma Forjaz.
• Resistências negras: lutas afro-brasileiras e o desenvolvimento democrático. Palestrante: Yara de Cássia Alves. Mestre e doutoranda em Antropologia pelo Programa de Pós Graduação em Antropologia Social da Universidade de São Paulo. É especialista em família, movimento e relações políticas em comunidades quilombolas, com experiência de pesquisa e extensão em quilombos do Vale do Jequitinhonha-MG desde 2009. Atualmente, se dedica às temáticas da memória e da corporalidade em populações afrodescendentes. É membra do Hybris/USP (Grupo de Estudo e Pesquisa sobre Relações de Poder, Conflitos, Socialidades) e do Nuap/Museu Nacional (Núcleo de Antropologia da Política).

Quarta-feira – 20/11

Emef Professor Bráulio Teixeira (Cristo Redentor)

• 9h – Cine-debate: Documentário Disque Quilombola.

Anfiteatro Isaltino Casemiro

• 14h30 - Alfabantu e Yoruba 101 - aplicativos para aprendizado de idiomas africanos. Há mais de uma década é obrigatório o ensino sobre a história e a cultura Afro-Brasileira no currículo de escolas públicas. Buscando aproximar a África dos jovens Brasileiros por outras vias além de instituições de ensino, foram criadas essas atividades. Assim sendo, essa oficina objetiva através da utilização de aplicativos, o conhecimento de Línguas Nativas faladas no Continente Africano. Ministrada por educadores do Sesc São Carlos. Não recomendado para menores de 12 anos.

• 19h30 – Peça teatral: Maria Maria – Alunos da Escola Estadual Djalma Forjaz.
• Palestra: África: colonização, pós-colonização, cultura e diversos. Palestrante: José Talvez Rogério. Vice-presidente para organização e desenvolvimento do IDS-Estudantes (Instituto do desenvolvimento social), representante do CAFGZ (centro de acolhimento e formação profissional Frei Giorgio Zulianello), formando em Engenharia de Produção, formador de informática, curso de antropologia africana durante 6 meses.

Quinta-feira – 21/11

Emef Wladimir Salzano (Vila Maria)

• 9h - Cine-debate: Documentário Disque Quilombola.

Anfiteatro Isaltino Casemiro

• 19h30 – Cine Debate – Documentário Parece Comigo.

Sexta-feira – 22/11

Emef do Caic Professor João Teixeira (Jardim Primavera)

• 9h - Cine-debate: Documentário Disque Quilombola.

Anfiteatro Isaltino Casemiro

• 19h30 – Hip-Hop: Túnel do Tempo. Com William Roldão e Everton Agripino.

Isaltino Casemiro

Nasceu na Fazenda Santa Mariana, em Porto Ferreira, no dia 9 de março de 1931.

Filho do músico José Casemiro e de Laura Ferraz Casemiro, era irmão de Anísio, Nelson, Élzio, Percília e Genésia.

Isaltino trabalhou na Fazenda Santa Mariana e lá mesmo fez o curso primário na “Escola Mixta Rural da Bôa Esperança”.

No dia 2 de junho de 1950, na Igreja de São Sebastião, casou-se com Luiza Aprígio, filha de João Aprígio e de Aparecida Martins. Da feliz união, nasceram os filhos Neusa Maria, Luciene e Waldair (falecido).

Neusa Maria e Luciene são professoras e Waldair era professor, psicólogo, músico e compositor.

Mudando para a cidade de Porto Ferreira, logo após o casamento, Isaltino ingressou na Cristaleria Americana (hoje Verallia), no dia 2 de agosto de 1954 e, um ano depois, no dia 8 de setembro, foi admitido na Companhia Paulista de Estradas de Ferro, onde trabalhou até a sua aposentadoria, em 1981, com a pequena máquina conhecida por matiza, cuidando da linha férrea, recolocando e socando as pedras britadas que ficam entre os dormentes que sustentam os trilhos.

Isaltino sempre teve adoração pela música e por isso, aprendeu vários instrumentos: cavaquinho, bandolim, acordeom, contrabaixo e violão, sendo este, o seu preferido.

Por volta de 1962, o músico ensaiava e acompanhava os calouros do programa “Onde Nascem os Astros”, da Rádio Primavera. Participou dos “Little Boys”, de Santa Rita do Passa Quatro, orquestra com repertório do estilo do maestro norte-americano Ray Conniff. Tocou em muitas festas, reuniões, aniversários, bailes e carnavais.

No final dos anos 1970, formou o conjunto “Batutas do Choro”, que já participava das reuniões do Clube do Chorão e de várias apresentações públicas. Contava sempre com músicos que tal como ele tinham o prazer de tocar: seu irmão Élzio (violão), Baltazar (cavaquinho), Farias (acordeão), Hélio Pavão (acordeão), Pedro Reis (ritmo), Milton Franco (ritmo), Scabora (pandeiro), Tadeu (ritmo), Sebastião (ritmo), Bolinha (violão), Zé do Cavaco (cavaquinho), Orlando Fernandes e Miguel Bragioni (acordeão), Lamellas, André, Donizete, Márcio, Cláudio, Cidão e outros.

Em 1982, o conjunto “Batutas do Choro” se exibiu por várias vezes na TV Morada do Sol, em Araraquara, no programa “Noite de Seresta”, apresentado por Orestes Rocha.

Isaltino foi um apaixonado seresteiro. Com Toninho Carreira, Neide Campeão, Fernandinho Rodrigues e outros músicos, faziam as noites ainda mais bonitas com valsas, chorinhos e canções.

Ao lado da esposa, o casal frequentava a Associação dos Aposentados e Pensionistas de Porto Ferreira, local onde se tornou o Diretor Social.

Faleceu no dia 25 de julho de 2006.

Em 16 de setembro desse mesmo ano, o Instituto Cultural Orestes Rocha, sendo inaugurado, prestou homenagem em uma de suas salas ao emérito músico.

No dia 31 de dezembro de 2006 foi inaugurado o Anfiteatro Municipal Isaltino Casemiro, no antigo barracão da Fepasas.

*Organizado por Miguel Bragioni L. Coelho.

Consulta: Museu Histórico e Pedagógico Professor Flávio da Silva Oliveira.