O QUE A POPULAÇÃO FERREIRENSE PRECISA APRENDER SOBRE O PODER DA CULTURA COMO FATOR LIBERTADOR?

O QUE A POPULAÇÃO FERREIRENSE PRECISA APRENDER SOBRE O PODER DA CULTURA COMO FATOR LIBERTADOR?

Em tempos de crise, a cultura é uma das primeiras áreas a sofrer cortes e desvalorização. A passagem do artista argentino Antivero Andres pela cidade reacende o debate sobre o papel da cultura como fator de cidadania e libertação. A cultura costuma ser tratada como supérflua em momentos de instabilidade econômica e social. Ainda assim, o impacto vai além da economia: atinge diretamente a dignidade dos criadores de cultura.

Para entender como Porto Ferreira se relaciona com seus artistas, a reportagem foi às ruas ouvir aqueles que vivem da arte fora dos espaços institucionais. Entre eles, o artista circense Antivero Andres, natural da Patagônia, no sul da Argentina. Formado em filosofia e artes cênicas, Andres percorre a América Latina há mais de cinco anos, acumulando mais de 15 mil quilômetros em viagens de bicicleta, levando o circo e a arte de rua a cidades de diferentes países. Em Porto Ferreira, sua experiência foi marcada pela frustração.

Apresentando-se em semáforos, inclusive no farol da Rua Dona Balbina, em frente à Secretaria de Cultura e Economia Criativa, Andres relata ter sido frequentemente confundido com pessoas em situação de rua ou usuários de substâncias químicas. O reflexo foi imediato: baixa receptividade e arrecadação insuficiente até mesmo para suas necessidades básicas. “Essa cidade precisa aprender a diferenciar o artista de alguém em situação de rua. O artista não é melhor do que ninguém, mas a nobreza de um povo pode ser medida pela forma como trata seus artistas”, afirmou. A observação de Andres não é isolada. Artistas locais ouvidos pela reportagem confirmaram que a desvalorização do artista de rua é uma realidade constante no município. Um deles, que preferiu não se identificar, lembrou com nostalgia de um período em que a iniciativa privada demonstrava maior compromisso com a formação cultural da cidade.

Segundo o relato, o empresário Dr. Thársis Ramos, figura histórica de Porto Ferreira, foi um exemplo de empreendedor que compreendia a cultura como investimento social, e não como gasto. Seu legado permanece vivo na memória de artistas, atletas e educadores que foram beneficiados por sua visão humanista. “Ele não investia apenas em bens materiais. Investia na formação do cidadão, do artista, do ser humano”, destacou o artista.

Atualmente, muitos criadores dependem quase exclusivamente de leis de fomento para viabilizar seus projetos. Embora fundamentais, esses mecanismos não substituem o reconhecimento cotidiano e o apoio estrutural à cultura local. Para Andres, o problema também passa pela postura institucional. “Uma Secretaria de Cultura que não consegue enxergar o artista em sua apresentação existe apenas para cumprir formalidades. O artista não deve implorar por migalhas; ele é o protagonista da história”, afirmou.

A passagem quase despercebida de Antivero Andres por Porto Ferreira levanta um questionamento maior: que tipo de cidade se constrói quando seus artistas não são reconhecidos? A cultura, além de expressão artística, é elemento formador de identidade, pensamento crítico e pertencimento social. Ao final de sua jornada, o artista argentino resume sua filosofia de vida: “Quem luta melhor é aquele que possui os mais belos sonhos.” Sonhos que o levaram por milhares de quilômetros, com sua bicicleta, sua arte e sua dignidade — e que, por instantes, cruzaram Porto Ferreira. Para conhecer mais sobre o trabalho de Antivero Andres, o artista pode ser acompanhado no Instagram: @mefistofeles_errante. 

(Por Alex Magalhães).

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