Nova espécie de besouro batizada em homenagem a Porto Ferreira é descoberta por pesquisador ferreirense
07/07/2026
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Pesquisa amplia o conhecimento sobre a biodiversidade do interior paulista e reforça a importância do Parque Estadual de Porto Ferreira como referência para estudos sobre a fauna brasileira.
Um dos principais patrimônios naturais de Porto Ferreira acaba de ganhar destaque na literatura científica. Um estudo realizado no Parque Estadual de Porto Ferreira registrou 101 espécies de besouros da família Cerambycidae, grupo conhecido popularmente como besouros-serra-pau.
A pesquisa representa o primeiro inventário abrangente desse grupo de insetos realizado na unidade de conservação. Ao todo, foram analisados 349 exemplares, pertencentes a cinco subfamílias diferentes de Cerambycidae.
Entre os principais resultados está a descoberta de duas espécies inéditas para a ciência. Uma delas, batizada de Olivensa ferreirensis, recebeu o nome em homenagem à própria cidade, já que Porto Ferreira é o local onde a espécie foi coletada e descrita pela primeira vez. A outra, chamada Eclipta migueli, presta homenagem ao entomólogo Miguel Ángel Monné (1938-2024). Até o momento, Porto Ferreira é o único local de onde essas espécies são conhecidas. O estudo também registrou sete espécies que nunca haviam sido encontradas no estado de São Paulo.
O artigo foi publicado em junho de 2026 em uma edição especial da revista Papéis Avulsos de Zoologia, dedicada à memória do professor Miguel Monné, uma das maiores referências mundiais no estudo dos Cerambycidae.
Embora o estado de São Paulo esteja entre os mais ricos do Brasil em espécies de Cerambycidae, muitas regiões permanecem pouco estudadas. O Parque Estadual de Porto Ferreira se destaca por conservar uma importante combinação de mata estacional semidecidual, mata ciliar e cerrado em uma área relativamente pequena, cercada por zonas urbanas e agrícolas. Ainda assim, o inventário registrou 101 espécies, número que corresponde a aproximadamente 7% de todas as espécies de Cerambycidae conhecidas do estado de São Paulo.
Os besouros da família Cerambycidae desempenham funções ecológicas importantes, especialmente na decomposição da madeira e na ciclagem de nutrientes nos ecossistemas. Muitas espécies passam a fase larval alimentando-se do interior de troncos e galhos, contribuindo para a decomposição da matéria orgânica vegetal e para a manutenção da fertilidade do solo florestal. Por outro lado, muitas espécies são importantes pragas agrícolas quando não estão em seu ambiente natural. Por isso, conhecer sua diversidade ajuda os pesquisadores a compreender melhor o funcionamento e o estado de conservação dos ambientes naturais.
O artigo também indica que o inventário está longe de esgotar a diversidade total do parque. A cada nova expedição de campo, espécies ainda não registradas continuaram sendo encontradas, sugerindo que o número de besouros que habitam a Mata do Procópio pode ser ainda maior.
Os resultados mostram que o Parque Estadual de Porto Ferreira é importante não apenas como área de preservação ambiental, mas também como um espaço estratégico para a produção de conhecimento científico sobre a biodiversidade brasileira.
O trabalho foi conduzido pelos pesquisadores Antonio Santos-Silva e Gabriel Biffi, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP). Gabriel, ferreirense, também é pesquisador do Instituto Tecnológico Vale (ITV) e do Instituto Nacional de Coleoptera (INCol), uma rede nacional dedicada ao estudo dos besouros.
Sobre o Parque Estadual de Porto Ferreira
Criado em 1962, o Parque Estadual de Porto Ferreira protege um dos mais importantes remanescentes de vegetação nativa do interior paulista. A área, que anteriormente integrava a Fazenda Santa Mariana, foi adquirida pelo Governo do Estado de São Paulo com o objetivo de preservar espécies vegetais centenárias e ameaçadas de extinção, como jequitibás, cedros e perobas.
Com cerca de 612 hectares, o parque reúne diferentes ambientes naturais, incluindo cerrado, floresta estacional semidecidual e mata ciliar do rio Mogi Guaçu. Essa diversidade de habitats abriga mais de 600 espécies de plantas e serve de refúgio para diversos animais silvestres, entre eles o lobo-guará, o tamanduá-bandeira, o macaco-prego e o tucano.
O Parque Estadual de Porto Ferreira é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral administrada pelo Governo do Estado de São Paulo. Além de conservar a biodiversidade, a unidade permite a realização de pesquisas científicas, atividades de educação ambiental, recreação em contato com a natureza e ecoturismo.
Para saber mais acesse:
https://portoferreira.ingressosparquespaulistas.com.br/
Sobre o INCol
O Instituto Nacional de Coleoptera (INCol) é um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) financiado pelo CNPq e vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A rede reúne pesquisadores de todo o país para estudar a diversidade, a evolução, a ecologia e a conservação dos besouros, o maior grupo de seres vivos já descrito pela ciência.
Para saber mais acesse:
https://incol.ufmt.br/
https://www.instagram.com/incol.oficial/
O artigo foi publicado na revista Papeis Avulsos de Zoologia
https://doi.org/10.11606/1807-0205/2026.66.special-issue-1.005
Contato: incol.comunicacao@gmail.com

Eclipta migueli

Olivensa ferreirensis




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